A pior dor é aquela que você sente arder e não sabe qual lugar massagear primeiro, vc não sabe nem por onde começar, você só sofre e sofre...
A dor se torna pior por que você convive com ela, você olha pra ela e só observa e cai na realidade de que aquele terreno não lhe pertence mais, mas a sua ânsia e desejo é muito maior que você, mas em momento nenhum aparece a vontade de hesitar, de fazer as coisas acontecerem, por que você tem medo de perder o unico contato, daí então você continua sofrendo cego...
Te sentir, te imaginar e te possuir por um tempo me fez perceber o quanto o breve se faz intenso, e que basta saber aproveitar, você foi o meu maior vício, minha maior perdição, meu maior acerto e o meu erro totalmente irreparável, senti todas as sensações da melhor a pior, e agora reconheço de perto uma dor que no começo não era a minha.
Medo, inimigo cruel, letal e devastador nunca imaginei que ele pudesse ser o seu problema, nesse lance de homens você se mostrou um pequeno garoto, não abandonei o barco quando tudo parecia tranquilo, e quando o mar se fez revolto no início eu remei em dobro contra a tempestade aparentemente perversa, eu escolhi o seu lado, eu optei pelo seu amor, foram as suas palavras que eu li, e foi por você que inúmeras vezes fechei os olhos, no final nada disso teve importância, apenas bastou o medo para que tudo afundasse nesse mar em chamas.
Não irei em momento nenhum abaixar a cabeça e lamentar tamanha perda, foi uma escolha sua, talvez o seu amor não fosse tão verdadeiro e firme quanto o meu, ou talvez você o fez fraco o tornou sensível e quebradiço, e deixou a areia da felicidade correr por entre os seus dedos, fluindo pra longe levando consigo o que sobrou do romance proibido, e do teatro sem platéia em que éramos os protagonistas, talvez não fosse ao meu lado a sua versão do conto de fadas, e eu abria o meu livro de cabeceira e via o seu nome escrito com uma tinta bem reluzente...
No seu livro, ou talvez você nem ao menos tivesse um, o meu nome era rabiscado com o grafite mais leve, marcado de longe simbolizando uma lembrança breve em sua essência e fazendo de mim um vento soprado bem distante, passageiro e imutável.
Esse é o amor em sua plenitude, uns ganham outros perdem, uns choram outros apenas lamentam, uns sentem uma saudade incurável outros apenas se recordam entre uma lembrança e outra, e eu continuo não sabendo qual será o meu dia, mas enquanto isso vou caminhando de encontro ao vento, talvez passe por mim a brisa mais serena e me mostre o fim do caminho que tracei com linhas inquebráveis para nós dois.
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