sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Escuridão

Tudo parece está se fechando, o tempo não está tão estável as nuvens cinzas inundam os céus, e eu vejo tudo se formando, então olho dentro de mim mesmo e não consigo enchergar motivos para continuar sorrindo sempre que cruzo com o seu olhar...
É inevitável, eu te vejo e o filme acontece de novo, dessa vez em câmera lenta, buscando cada detalhe, eu sei, é apenas um momento e vai passar em alguma hora, eu só não sabia do sofrimento que acompanha a espera que aparentemente se faz interminável.
Encherguei um dia tanto em você e hoje simplesmente visualizo um vulto cinza e opaco, você perdeu as cores vivas, você perdeu o seu brilho, a única coisa que ainda sou capaz de captar é a lembrança do seu sorriso quando me via te esperando descer do ônibus, para que pudéssemos caminhar juntos para irmos ao encontro da hora mais esperada.
Você me falava coisas tão reais e que hoje se tornaram meramente abstratas, você teve tanto cuidado o tempo todo, procurava me conquistar sempre que podia, e costumava questionar sobre as minhas dúvidas em relação aos seus sentimentos que outrora dissera serem verdadeiros e inquebráveis.
Talvez você tenha mentido para si mesmo além de para mim, por que o retrato que me mostra hoje é frio e previsível, o que você dissera ter cultivado se tornou improdutivo.
Eu não quero e não vou mais esperar por você para que eu volte a sorrir, eu só estou esperando por mim mesmo, pela capacidade de olhar em frente enchergar o caminho sadio e caminhar em paz.
Não importa o que foi definido na primeira impressão, não existe em você hoje nada doce, nada meigo e nada admirável, você me mostrou com todas as letras e ilustrações a verdadeira cor dos teus olhos, você me mostrou que a criança ingênua e iludida que eu ainda guardava apaixonante em mim tem que crescer rápido, e buscar luzes mais ofuscantes para iluminar a escuridão cruel que você me deu de presente.

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