quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Meu leitor




E depois de muito tempo você ressurgiu, assim como quem não quer nada, e sentou com as pernas pra cima no tamborete acolchoado  do meu mundo repaginado.
Você me leu em algumas palavras, decifrou uma personalidade escondida nas minhas entrelinhas, e decodificou cada sílaba do meu eu.
Me encontrou bem no meio de uma superação, e com algumas verdades soltas me fez pensar em te querer por perto.
Entre conversas, mensagens e sorrisos, eu vou me perdendo e você vai me ganhando, com esse dom de ser simples e me corar a face. 
Eu vou tentando controlar o meu jeito, que já sem jeito te faz brotar do rosto um sorriso. Apenas palavras, as minhas palavras e as tuas palavras, e os teus olhos, e as tuas interpretações, o meu dom de te roubar sorrisos e a tua facilidade em enxergar de perto tudo que tá escrito, escrito em mim, com letras que guardei para este poema que eu dedico só a você.  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sono (19/01/2013)

Chuva caindo aqui fora e inundando de amarguras o meu quarto quente, contribuindo
ainda mais para o atraso infeliz do sono, deixando que suas lembranças se apoderem do meu humor.
O som baixo da música, consegue ainda assim, acentuar algumas palavras perdidas de sofrimento, um vazio doloroso que você deixou, sem pensar, sem cuidado, sem amor.
Já não me importa o que acontecerá daqui em diante, por que é com um sorriso falso e um abraço meio torto que vou enganando a mim mesmo, remexendo alguns cacos de remorso que restaram do perdão desesperado que prometi ao meu ego.
Ferido, desiludido e com saudades, saudades de um amor cego, cruel e mentiroso, que juramos para nós dois, pensando na piedade do tempo.
Nada será como antes, e pelo visto, nem mesmo a minha vontade de dormir. Obrigado insônia, por trazer dor, calor e alguns versos tristes acompanhados do masoquismo sonoro que violenta a minha alma.

Acordado (19/01/2013)


A maldita insônia insiste em tomar meu tempo de descanso,
e não satisfeita ela traz o pouco que restou de nós dois.
Acorrentado nos versos de algumas músicas tristes, eu vou
encontrando aquelas lágrimas que não caíram na insônia passada,
um encontro desagradável eu confesso, mas talvez necessário para
secar de vez esses olhos vermelhos do sono e cansados da claridade.

Cego (30/12/2012)

Eu vejo você fluindo por entre os meus dedos deixando minha
mão vazia e fria.

Eu vejo você escapando tão depressa da minha vida, e vejo
que isso vai endurecendo o meu coração, que vai parando
de sangrar aos pouquinhos, batendo num ritmo fraquinho.

Eu vejo você sorrindo em algumas lembranças, e penso no quanto
elas são confortantes, mas seu sorriso já não tem a mesma graça, na
verdade você quase não sorri.

Eu vejo que nossas vidas já não estão tão acordadas como no começo, as rosas
além de não falarem já não exalam mais aquele perfume que roubaram de ti.

Eu vejo tudo que nos uniu pra sempre, e vou me conformando com o que nos
separou, já não importa quantas pedras jogamos em inúmeros tetos de vidro,
o nosso simplesmente já nem existe, assim como esse pra sempre, que sempre
acaba.

Janela (28/12/2012)

A cor do dia vai embora, e então chega a noite fria e sonora
as vezes triste e chorosa, me lembrando você.
Sentindo o vento acariciar minhas costas decido abrir mais um pouco
a janela, pra ver se de repente junto com o vento sinto mais uma vez
o seu toque.
Chega tudo agora pela janela, vem a solidão, vem mais um pouco de tristeza,
um tantinho de vazio, e um bocado de saudade, uma porção caprichada de você.
Eu fecho a janela, decido dormir, viro pra um lado e pro outro, o vento lotou
o meu quarto de tudo lá de fora, só ainda não encontrei perdido por entre o meu cobertor e o meu travesseiro, o sono.

Não Importa (21/12/2012)

Não importa o quão distraído seja o tempo em que estou longe de você.
Não importa o quanto eu mergulhe no mar de esquecimento, quando retorno
à superfície você continua sendo a minha primeira respiração.
Não importa quantos sorrisos novos estão tentando me conquistar, é sempre o
seu que não se apaga das minhas lembranças.
Não importa quantos passos eu estou dando contrários à sua direção, o sentido sempre me aponta você.
Não importa nem de longe quantas lágrimas caem do meu olho pensando em tudo
que aconteceu, o meu coração insiste em apagar tudo, mas a razão tá de mal com ele.
Não importa o tamanho da escuridão que inundou minha vida, mas talvez não seja tão impossível encontrar um filete de luz perdido na distância estabelecida entre os nossos sentimentos.

Destroços (10/12/2012)

Caminhando a favor do tempo vou tentando deixar pra trás tudo aquilo que feriu
e machucou, vou buscando dentro de cada canto morto do meu corpo um sopro
suave de disposição, que agora parece emanar com mais força a medida que a 
descubro.
Penso em tudo que me fez sorrir, para compensar cada lembrança suja que me fez
cerrar os dentes e derramar algumas lágrimas teimosas, tudo é muito recente e vivo,
e se torna triste e escuro aos pouquinhos, bem devagarinho o castelo lindo de cristal
vai criando uma forma mais opaca e esquisita, tento desembaçar as vistas mas nada muda, e me surpreendo com tamanha transformação, é como se uma vida fosse destruída, um sorriso fosse contido, uma boca calada ou grito abafado.
Esse sou eu, tentando enxergar dentro de mim algo que me faça maior e melhor do que antes.

Sem Nós Dois (08/12/2012)

O som que percorre todos os cantos do meu corpo me faz estremecer,
a sua voz ainda gravada dentro de mim me empurra numa fossa profunda
e escura, onde me remexo atordoado com as lembranças recentes de um amor
ferido e doente.
Sentado quieto no vão do quarto, eu escolho não pensar mais em nada e nem em
você, não consigo de nenhuma forma me libertar do que guardei pra nós dois,
mas ao mesmo tempo sinto as lágrimas da frustração inundando cada centímetro
enrijecidos da minha face abatida, desejando apenas acordar de um pesadelo cruel
e ameaçador só pra ter o gosto da esperança reunindo os cacos cortantes do sofrimento estabelecido entre nós dois.
A vida não espera, o tempo é muito voraz e costuma apagar alguns danos superficiais, mas acaba guardando lá no fundo um gosto amargo da verdade.
Eu queria poder fechar os olhos por algumas horas, e conseguir ao menos suavizar as olheiras pesadas que os rodeiam, mas não consigo sequer piscá-los, eles nunca param de chorar.

Primavera (09/11/2012)

Sinto um arrepio gostoso na nuca, é como se alguém tivesse soprando bem de perto, mas olho para trás e vejo apenas a janela entreaberta , e de repente ouço o vento assobiando baixinho lá de fora.
Olho pela pequena fresta da janela, agora quase fechada pelo vento inquieto e sinto um cheiro estranho de saudade vindo de algum lugar, mas receio que não venha lá de fora, o vento jamais traria de volta o que a vida me roubou.
Não sei onde você está exatamente agora, mas é que não consigo parar de pensar no inverno indo embora desde que você levou contigo a luz e o calor.

Tango (01/11/2012)

Sinto um cheiro forte de chuva, e um vento frio batendo em minhas pernas descobertas, ouço pingos vorazes batendo no chão aqui fora.
Minha cabeça segue freneticamente o ritmo acelerado das gotas, e meu corpo
arrepiado segue na mesma frequência, com as pálpebras travadas, me entrego
à escuridão dançante na chuva desejando seu corpo quente, seguindo meus passos ousados no escuro.

Álcool (28/07/2012)

Fechei os olhos por um pequeno intervalo de tempo, e consegui então
projetar na minha mente a imensidão do silêncio frio que caíra sobre os
meus sentidos. 
Era a saudade ou o medo, era o amor ou até então a tristeza.
Era simplesmente o grito surdo de alguém perdido dentro de um pensamento que não era só meu.

Éramos pequenos grãos de areia em meio a um deserto seco e voraz, era portanto
o meu chamado histérico, que soava louco entre as quatro paredes que nos cercavam.
Éramos galhos secos na chuva, ou talvez uma realidade objetiva em um sono que não ousava acordar, era você aparecendo entre as cortinas de um presente iluminado, era apenas você ali, tão simples e tão nu, cheio de vigor e coragem, pronto pra mim e pronto pra nós dois.

Era apenas assim, uma saudade, um grito, um grão, um galho, um você, um você em mim, ardendo em tesão, ardendo em desejo, ardendo agora.

Mutação (11/12/2011)

E hoje acordei, e me pareceu que tudo estava mais claro
A luminosidade invadiu as janelas do meu quarto, e ofuscou os olhos
Hoje enfim, é mais um dia especial, uma data realmente importante
Coloquei os pés no chão e comecei a pensar de lá do início
Quando ousadamente você roubou o beijo mais valioso, mais cheio de significados
Em tão pouco tempo você me fez acreditar que tudo pode ser mudado
Que a transformação é possível para cada um que a deseje
É ao seu lado que eu quero continuar me transformando, continuar mudando
É com você que eu quero ficar junto, é com você que eu quero crescer
Não exista talvez um eu sem você a essa altura do campeonato
Não exista talvez mais de uma opção a ser escolhida, não mais
E hoje acordei...e tudo pareceu mais nítido, era você caminhando em minha direção
Lentamente se aproximando de olhos fechados, procurando a mim
Você chegou mais perto, abriu os seus olhos, ofuscou o meu coração e aprisionou a minha alma.
Um ano e meio atrás, tudo começava a ficar diferente, tudo mudou em mim, e tudo continuará mudando, o amor... ele transforma.