sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sem Nós Dois (08/12/2012)

O som que percorre todos os cantos do meu corpo me faz estremecer,
a sua voz ainda gravada dentro de mim me empurra numa fossa profunda
e escura, onde me remexo atordoado com as lembranças recentes de um amor
ferido e doente.
Sentado quieto no vão do quarto, eu escolho não pensar mais em nada e nem em
você, não consigo de nenhuma forma me libertar do que guardei pra nós dois,
mas ao mesmo tempo sinto as lágrimas da frustração inundando cada centímetro
enrijecidos da minha face abatida, desejando apenas acordar de um pesadelo cruel
e ameaçador só pra ter o gosto da esperança reunindo os cacos cortantes do sofrimento estabelecido entre nós dois.
A vida não espera, o tempo é muito voraz e costuma apagar alguns danos superficiais, mas acaba guardando lá no fundo um gosto amargo da verdade.
Eu queria poder fechar os olhos por algumas horas, e conseguir ao menos suavizar as olheiras pesadas que os rodeiam, mas não consigo sequer piscá-los, eles nunca param de chorar.

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