Nas curvas serenas da minha caminhada diária
me deparei com algumas lembranças estranhas
e mal arrumadas, elas me traziam você, meio cinza
meio desbotado, era na verdade uma cor indefinida.
Me senti um pouco sufocado, a sua sombra vinha
se aproximando, e me espremendo dentro de mim mesmo,
nunca me senti tão compacto e encurralado, tão sozinho e triste.
Você como sempre, se achando o centro das atenções, o dono
de toda verdade, quando na verdade, sempre imerso em suas
próprias mentiras, acelerava os passos.
Eu parado, decidi não andar mais, tardando aquele encontro torto,
meio sujo, cercado de dor e de sorrisos falsos.
A sua figura ainda distorcida se aproximava mais, e eu decidi agora
prender a respiração, não era justo que depois de tanto tempo, eu
precisasse sentir aquele seu perfume atordoante penetrando os meus
sentidos.
Um vento frio passou, e levou com ele um mar de mágoas, de insatisfação
a fragrância enjoada do seu perfume e algumas memórias.
Não parei de caminhar, acelerei os passos, comecei uma corrida suave,
só pra me certificar que aquele encontro matinal e desnecessário
ficasse a muitos passos das minhas costas, e eu nem ousei olhar pra trás.
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