sexta-feira, 15 de março de 2013

Desbotado

Palavras estranhas estão sendo desenhadas em minha cabeça todo esse tempo,
algumas perguntas, algumas sensações, algumas lembranças, e alguns sinônimos de
saudade.

E todas as figuras que ilustram você vão perdendo de repente as cores vivas, aquelas cores que pintei com força, realçando cada traço de cumplicidade, confiança, admiração e uma porção generosa de amor. Não que ele tenha se esvaído, apenas desbotou naquele caderno velho, onde costumávamos registrar algumas mentiras baratas que traduziram por muito tempo uma felicidade rasa.

Não importa quantas luas eu vi deitar diante dos meus olhos chorosos, ou sequer os inúmeros sóis que vimos indo embora, eu sei que isso agora são só reflexos dessa saudade morna, que veio acompanhando o calor.

Já não importa também, o quão foi difícil me enxergar caminhando só, por que já consegui abandonar a andadeira que você me emprestou junto com o vício doentio de seguir os seus passos, tudo isso já não existe, nem mesmo aquele rosto intocável e inocente que desenhei quando te olhava dormir, criando sonhos e planos, que foram inundados por uma escolha que foi só sua, onde não cabia mais nenhum pedaço de mim.


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